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Posts Tagged ‘Corpo e Alma’

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Imagem: Angelo Musgo

FONTE: KELEMAN, S. MITO & CORPO: UMA CONVERSA COM JOSEPH CAMPBELL. TRADUÇÃO: BOLANHO, D. M. EDITORA: SUMMUS EDITORIAL, 1999.

Existem lugares solitários onde podemos esconder nossas assombrações com aquela sensação de inviolabilidade que apenas os loucos conseguem construir. Esses lugares solitários costumam a nos seduzir com seu conforto e ao mesmo tempo nos prender como quando se cai em uma armadilha.

 Eu sei que você já deve ter estado nesses lugares solitários por muitos e muitos anos. Tem gente que nunca saiu de seus labirintos simplesmente porque nem consegue imaginar que existe algo fora desse espaço privado e confortável, onde nossa mente pode se isolar do mundo exterior como se fossemos apartados, cindidos, separados.

A ilusão do quarto privado nos diz que nossa mente está em nosso corpo, como alguém está sozinho em um quarto. Protegidos por grossas paredes e uma porta trancada com cadeado. É como se esse alguém, nesse lugar solitário e confortável, olhasse o mundo à distância pelas janelas desse quarto.

As paredes do quarto são nossos ossos, nossos músculos, nossa pele, nossas fronteiras. As janelas são nossos sentidos e o solitário dentro daquela sala vazia é cada um de nós.

Essa imagem, moderna, derivada de um conjunto bem articulado de teorias e concepções sobre o mundo e a alma humana, que derivam de Descartes, Locke, Leibniz e até Shakespeare, nos presenteou com a segurança de nossa solidão e com uma curiosa alucinação de onipotência mental.

O dualismo corpo-mente nos presenteou com a terra devastada. Com a impressão de que temos um corpo como quem tem uma moeda no bolso. O esquecimento do corpo é um tópico bem estudado na filosofia contemporânea. Nossa impressão de deslocamento, nossas sensação de exílio, a ideia de uma prisão física para uma alma imortal (que remonta as antigas seitas órficas e ao gnosticismo cristão dos primeiros séculos) nos ofertou um mote forte para o abandono do corpo, com a desconcertante impressão de que não estamos comprometidos com esse mundo e que o corpo, como parte da história biológica da terra, é apenas um invólucro provisório de nossa essência, uma capa protetora para um Eu intangível que se esconde por trás de suas paredes.

Joseph Campbell percebeu essa síndrome moderna e chamou o estado de nossa corporeidade contemporânea de terra devastada. Quando Stanley Keleman, coordenador do Centro para estudos energéticos em Berkeley, Califórnia, encontrou-se com Campbell e em sua parceria, entabulou uma longa conversa sobre corporeidade e mito, um caminho de escape da terra devasta começou a ser pensado.

A ideia é que os mitos são criados não em função da mente, mas sim em resposta a determinadas sugestões do corpo é o fio de Ariadne de nosso quarto privado. Como um sonho coletivo, o mito nos apresenta uma chave para compreendermos a relação com nossos corpos e para que possamos abandonar o estado de alienação em que nos encontramos diante do fluxo biológico da terra e reencontrar um lugar menos solitário para se estar nesse mundo.

O mito de Parsifal e do Graal é o mote do livro de Keleman em suas conversas com Campbell (Mito e corpo: uma conversa com Joseph Campbell – Summus Editorial). A conexão de nosso Self com nosso corpo ancestral, um corpo coletivo que remota a tempos onde a memória das vidas individuais e particulares não pode chegar é expressa através da narrativa mítica. O mais interessante das intuições de Campbell a partir da história de Parsifal e da busca pelo Graal é que nossas vidas privadas, a história de nossas individualidades e de nossas experiências pessoais não podem ser contadas sem o apelo a uma narrativa, a uma trama que une diversos personagens que se sucedem e que aparecem marcados em nossos corpos, na infância, na adolescência, na juventude, na vida adulta, na velhice…  Arthur Schopenhauer explicou isso uma vez dizendo: “o mundo é como um sonho sonhado por um único sonhador, no qual todos os personagens estão sonhando também. Eles estão sonhando suas vidas e tudo se coordena em uma harmonia misteriosa”.

Existem muitos personagens corporais em nossas histórias. Existe o velho sábio, o jovem guerreiro, a grande mãe. Existem nossos próprios personagens pessoais que misteriosamente se conectam aos personagens dos mitos que compõe nossa experiência coletiva. Macunaíma, Beowulf, Parsifal, Gilgamesh… não importam os nomes, suas narrativas se fundem com as nossas e suas histórias nos apresentam a chave para nos livrarmos do confortável e vazio lugar solitário de nossa própria mente. Para que possamos reaprender a ser nosso corpo e semear novamente nossa terra devastada com algum tipo novo e revigorante de esperança.

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110901_jacci_yoga_097-2Imagem:  Google.

Autor: Artur Thiago Scarpato**

 

A relação entre anatomia e subjetividade é um tema básico da Psicologia Formativa de Stanley Keleman. Este autor estuda as formas somáticas, que são as constantes transformações morfológicas e anatômicas do corpo que se produzem ao longo da existência acompanhado pelas transformações psicológicas. Na concepção kelemaniana a vida é um processo constante de construção de formas somáticas, desde o processo embriológico na formação do ser humano até o final da vida. Essas transformações não são guiadas apenas por um programa já dado geneticamente, mas as formas somáticas refletem a própria produção da existência, com todos os seus acontecimentos, encontros e relacionamentos.

“O estudo da forma humana revela sua história genética e emocional. A forma reflete a natureza dos desafios individuais e como eles afetam o organismo humano….a postura ereta é acompanhada de uma história emocional de vínculos parentais e separações, proximidade e distanciamento, aceitação e rejeição. Uma pessoa pode incorporar a densidade compacta que reflete desafio ou um peito murcho que expressa vergonha. A anatomia humana é, assim, mais do que uma configuração bioquímica; é uma morfologia emocional. Formas anatômicas produzem um conjunto correspondente de sentimentos humanos”. (Keleman, 1992 p.72)

Keleman deixa de lado os modelos clássicos do aparelho psíquico e parte em busca da experiência encarnada, o corpo sendo criado e criando existência, sendo produzido e se produzindo e o psiquismo como uma parte deste processo somático-existencial.

Na visão kelemaniana, o psiquismo é uma função do corpo, o corpo sente, o corpo pensa, o corpo imagina, o corpo sonha. Nesta concepção, a anatomia e o psiquismo estão absolutamente enredados. Keleman propõe uma anatomia emocional, cognitiva, existencial. O psiquismo está estruturado a partir da organização morfológica do corpo todo e não apenas restrito ao cérebro ou a algum espírito imaterial.

Os estados subjetivos – sentimentos, pensamentos, estados de consciência – são estados do corpo. Como diz Keleman: “todas as sensações, todas as emoções, todos os pensamentos são, de fato, padrões organizados de movimento”.(Keleman, 1995, p 17).

O corpo cria imagens e símbolos de si e do mundo e assim se torna capaz de dialogar consigo mesmo e com os outros. Estas imagens são geradas no córtex cerebral a partir de um diálogo das diferentes camadas somáticas.

O diálogo do corpo consigo mesmo permite ativar um processo de auto-gerenciamento, onde é possível identificar, compreender e modular as formas somáticas, dialogando com os efeitos somáticos das experiências vividas, num modo de participar ativamente da construção da própria existência.

Keleman propõe a Metodologia dos Cinco Passos, processo onde pretende-se influenciar as atitudes, comportamentos e estados internos através da ação modulatória sobre a organização das formas somáticas. Este trabalho está focado na identificação do “como” um determinado comportamento é organizado somaticamente.

Ajuda-se o cliente primeiro a identificar o que ele faz, qual a imagem da situação (passo 1), depois a identificar como ele faz isto através de suas organizações somáticas, intensificando volitivamente com a ajuda da musculatura estriada, discriminando os afetos, estados cognitivos e esboços motores de ação organizados (passo 2). Depois começa-se a desintensificar e desorganizar as formas previamente intensificadas (passo 3) e a observar e receber de volta os efeitos desta desorganização – imagens, sentimentos, lembranças, etc. (passo 4). A partir daí pode-se reconhecer as formas que emergem como diferenciações sobre as formas anteriores (passo 5) ou então retorna-se aos padrões anteriores.

Através deste método de trabalho, atuando diretamente sobre as formas somáticas – organizadoras da experiência subjetiva – procura-se reorganizar comportamentos, atitudes e modos de ser e ensinar uma participação volitiva do sujeito em seu processo de vida, pelo aprendizado das regras da produção somática de existência.

A clínica formativa realiza uma cartografia das formas somáticas de uma pessoa para compreender e atuar sobre:

Os efeitos dos acontecimentos no sujeito.

Os modos habituais de lidar com estes efeitos e a cristalização somática da história de vida em formas estereotipadas, em modos fixos de lidar com as situações, em atitudes padrões.

O estabelecimento de um autodiálogo construtivo, de uma participação volitiva para o restabelecimento do processo formativo.

A partir do reconhecimento de como a pessoa está organizando somaticamente a sua experiência, ela poderá aprender a desorganizar e reorganizar estes modos. Fazer mais e fazer menos constituem um caminho para desorganizar padrões de ação estereotipados, abrindo a possibilidade para a emergência de sensações, sentimentos e novos padrões de ação. A pessoa pode então investir volitivamente neste processo, reconhecendo padrões, desorganizando formas e investindo em formas somáticas emergentes, na intenção de criar e estabilizar novos padrões de ação.

No processo clínico formativo, assim como no trabalho diário de cada um consigo mesmo, opera-se um manejo constante com as formas somáticas utilizando-se a Metodologia dos Cinco Passos.

Cada configuração de forma somática está relacionada a diferentes experiências subjetivas. O pensamento formativo oferece uma importante ferramenta para podermos participar ativamente deste processo, dialogando com os efeitos das experiências em nossos corpos, influindo em nossos comportamentos, aprendendo a navegar no devir.

 

BIBLIOGRAFIA:

Keleman, Stanley. Anatomia Emocional, Summus, São Paulo, 1992

Keleman, S. Corporificando a Experiência, Summus, São Paulo, 1995

Keleman, S. Amor e Vínculos, Summus, São Paulo, 1996

 

Notas:

* Artigo publicado na Revista Psicologia Brasil, ano 3 n 27, p 30-31, 2005.

 

**Autor: Artur Thiago Scarpato: Psicólogo clínico (PUC SP). Mestre em Psicologia Clínica (PUC SP). Possui quatro especializações na área de Psicologia: Especialização em Psicologia da Reabilitação pelo HC FMUSP, Especialização em Cinesiologia Psicológica pelo Instituto Sedes Sapientiae, Especialização em Teoria e Técnica Reichiana pelo Pulsar – Centro de Estudos Energéticos e Especialização em Educação Somática Existencial pelo Centro de Educação Somática Existencial. Trabalha em consultório particular com psicoterapia individual e de grupo. Autor de diversos artigos na área.

 

Retirado do site: http://www.psicoterapia.psc.br/scarpato/formacao.html

 

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Por Felipe Salles Xavier

 

 

 

 

Antes do verbo era o ventre, a força criadora do universo e da vida. O que seriamos sem o ventre se através dele nós ganhamos a vida? Ele é o centro da existência e da criatividade humana por excelência.

 

 

 

Origem

Atualmente acredita-se que a dança foi à primeira forma artística de expressão e simbolização do ser humano, a principio ela possuía a finalidade de imitar os animais, a natureza e os elementos mágicos, ou seja, imitar tudo aquilo que rodeava nossos antepassados, foi ela a primeira maneira concreta de simbolizar com o corpo e também de um compreender e unificar-se ao sagrado, ao mundo e ao fluxo da vida. (SCARDUA, 2007).

 

A dança assume um papel importantíssimo no desenvolvimento humano, serviu para tentar explicar a nossa própria existência, o fato de nossos antepassados dançarem contribuiu em nosso desenvolvimento biológico, corpóreo e psicológico, experimentando sensações, emoções e sentimentos que eram liberados por esse fazer artístico.

 

Por isso a dança é uma ferramenta que nos possibilita uma unificação ao sagrado, já que nas culturas pré-históricas tudo aquilo que nos cercava era tido como sagrado, pois a crença de sermos fruto do mesma mãe, do mesmo útero, era fortemente socializada, essa mãe é chamada de terra, Gaia, a deusa-mãe natureza.

 

A Dança do Ventre

A dança do ventre foi à primeira forma de expressão do feminino, ela surge em várias culturas, há indícios de que possa ter surgido no antigo Egito por volta de 7.000 a.C, onde eram realizadas por sacerdotisas para rituais de fertilidade e adoração, e também existem pesquisadores que acreditam que ela tenha surgido com um povo mais antigo, os sumérios, provenientemente de um ritual sagrado.

 

As atribuições artísticas só foram incorporadas com a invasão dos árabes ao território egípcio, quando os padrões da dança foram miscigenados, adicionando um caráter comemorativo, onde se celebra as formas de vida, a magia, o nascimento.

 

O verdadeiro nome dessa dança é Raks Sharki (dança do oriente), nos Estados Unidos é conhecida como Belly Dance (dança da barriga), e no Brasil é chamada de Dança do Ventre, esta é uma dança produzida por mulheres e para as mulheres, foi desenvolvida num tempo onde as deusas estavam vivas e presentes em forma de mito, num tempo onde a mulher e a serpente eram sagradas. 

 

A Serpente

A serpente é um símbolo mítico ligado ao feminino, à fertilidade, a regeneração e a saúde. Ela também incorpora o ciclo da vida, enquanto Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda, representa a evolução própria, a continuidade, a auto-fecundação, a proximidade entre o mundo superior e inferior, e ainda a idéia de eterno retorno. Portanto, a vida.

 

Mitos e Arquétipos

Os mitos são a conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo, neles encontramos representações internas, transcendentes e coletivas, que servem para organizar o funcionamento psíquico e o comportamento, de acordo com o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, os mitos ilustram arquétipos, e estes não podem ser descritos, entretanto podem ser “representados”.

 

Segundo James A. Hall, os arquétipos são padrões universais, determinantes inatos da vida mental, é uma parte não individual da psique, e algo coletivo, resumindo, são tendências herdadas no inconsciente coletivo, que faz com que os indivíduos se comportem de forma semelhante aos ancestrais que passaram por situações parecidas.

 

Impressões Psicológicas

A dança do ventre está intimamente ligada ao arquétipo da Grande Deusa-Mãe, que esta relacionado à criação, o nascimento, a fertilidade, aquilo que é puro e sagrado.

 

Em cada ser humano existe, no mais profundo do seu mundo interior, a recordação da Mãe. Mãe como natureza, mãe como mulher que gerou e criou, mãe como símbolo de toda a poderosa força criadora individual e universal. São impressões psicológicas muito antigas, relacionadas com a experiência do nascimento e da morte. A imagem arquetípica de uma formidável energia que pariu tudo o que existe fica latente no plano inconsciente até que se ative pelas experiências da vida, ou seja despertada por meios invocatórios, como na dança ritualística. Qualquer mulher, quando vai ser mãe, sofre certa estimulação inconsciente desse arquétipo. Na pratica, tudo funciona para que ela se adapte da melhor maneira possível à tarefa de parir, usando o acervo humano de incontáveis experiências. O arquétipo da Grande Mãe é uma espécie de banco de dados de incontáveis experiências de concepção, gestação, parto e cuidados maternais registrados no inconsciente. Tudo é parte do amplo conjunto de memórias do processo evolutivo humano.

( PENNA, 1993, p. 87 – 88 )

 

As mulheres que praticam essa dança entram numa espécie de viagem interior, onde ganham contato com vários símbolos, emoções e sensações ainda não experimentadas, surgem assim às imagens arquetípicas. Na dança do ventre alguns desses arquétipos são:  o Materno, a Odalisca, a Prostituta Sagrada e Afrodite, esses dois últimos estão associados à sensualidade, aos desejos e ao prazer.

 

O Materno

O arquétipo Materno surge de diversas formas, mas sempre de uma simbologia própria, para diversos psicólogos junguianos, o arquétipo da Grande Deusa-Mãe é o próprio arquétipo Materno. A imagem da Grande Deusa-Mãe surge através da história das religiões, e se estende em várias imagens arquetípicas. Nos olhares da psicologia nos relacionamos com o arquétipo Materno através da própria mãe e a avo, da madrasta e a sogra, e outras mulheres com as quais nos sentimos bem, também com a igreja, a universidade, a cidade, a floresta, a lua, útero e outros. São todos esses e muito mais os símbolos que tratam deste arquétipo. Algumas das características que esses arquétipos trazem são: a bondade, o feminino, a sabedoria, a espiritualidade, o cuidado, o instinto, a fertilidade, o oculto, o obscuro, o renascimento, o sedutor, o venenoso, o pavor e o mortal.

 

A Odalisca

A Odalisca é uma dançarina que se utiliza dos homens para satisfazer sua sexualidade, ela traz a sensualidade como forma de vida. É uma mulher comum que serve sexualmente no harém do rei, uma de suas técnicas de sedução é a dança do ventre. Esse arquétipo fala da relação com o próprio desejo, as mulheres em contato com ele vivem a idéia de serem vistas como deusas da beleza, da sensualidade e do prazer, o que é uma condição psicológica existencial, aonde vêm o sexo como uma forma de domínio pelo prazer, isso é uma necessidade de acabar com a própria impotência, inferioridade que tem inconscientemente.

 

A Prostituta Sagrada

A Prostituta Sagrada é uma mulher humana que encarna as diversas deusas do amor, paixão e da fertilidade, algumas dessas são: Inana (Sumária), Istar (Babilônia), Isis e Bastet (Egito), Astarte (Fenícia), Afrodite (Grécia) e Vênus (Roma).  Ela representa a sexualidade de forma divina, é a sexualidade feminina sendo reverenciada, são responsáveis pela felicidade sexual e pelo desejo. Através dessa imagem a mulher se encontra com o próprio corpo, usando ele como arma sedutora para conseguir o que quer dos homens. Ao rejeitá-la pode-se trazer insatisfação na vida, e ao ser possuída por ela, a mulher pode achar que a única coisa que tem a oferecer é o próprio corpo.

 

Afrodite

A deusa Afrodite na mitologia é filha apenas do pai. Seu nascimento se da quando Zeus, corta os testículos de Cronos e seu esperma acaba caindo nas águas. Dessa união nasce Afrodite, a filha do masculino e da emoção. A deusa não conhece o feminino, logo, acha que sua beleza é tudo que tem a oferecer, esse arquétipo trás as informações do “falso” feminino, entretanto, não vivenciá-la traz conseqüências amargas, como a falta de auto-estima, auto-conhecimento, falta de sexualidade e beleza corporal. 

 

 

As mulheres tomam contato com essas informações do inconsciente através de visões e sonhos que aparecem depois de algum tempo do trabalho corporal que é feito, o ideal é que as praticantes dessa arte busquem uma psicoterapia junguiana para trabalharem os símbolos e entrarem em contato com o seu verdadeiro eu.

 

O Corpo

Outro fator importante na dança do ventre é o trabalho bioenergético que se realizam, os movimentos trabalham os músculos superficiais e profundos, soltando-os dos ossos, deslizado e realinhando toda a musculatura, vértebras e a própria postura, isso faz com que haja uma mudança em todos os estados afetivos e psicológicos, dessa forma acaba fazendo com que as couraças se dissolvam, liberando as emoções que no decorrer de nossas vidas ficam presas ao corpo.

 

Boyesen ( 1988 ) diz que as couraças são tensões que são geradas ao longo da vida, servem para proteger o indivíduo de experiências dolorosas e ameaçadoras.

 

Para os psicoterapeutas corporais, o corpo conta a história de vida de cada indivíduo, e o trabalho corporal é necessário para que ocorra a liberação de emoções “engarrafadas” no corpo e para um melhor fluxo de energia orgônica, o que nos proporciona uma melhor qualidade de vida.

 

Segundo Wilhelm Reich, médico e psicanalista o Orgone é uma energia universal, sem massa e nem inércia, que esta em tudo o que é vivo, e ele pode ser acumulado no corpo através da respiração profunda. 

 

Na dança do ventre é fundamental o trabalho com muitos músculos e com respiração profunda, o que é base no trabalho corporal, os seus movimentos atuam diretamente nos desbloqueios das couraças e no acumulo de orgone.

 

Nessa abordagem levamos em conta que o corpo é um local privilegiado da subjetividade de cada um, e deve ser respeitado como tal.

 

A dança do ventre religa as suas praticantes ao feminino, ao sentimental, ao puro, ao sagrado, ao prazer, ao corpo e aos arquétipos, nos remetendo a tudo aquilo que é essencial a vida e que a sociedade atual não tem tempo para desfrutar, ou seja, ela possibilita uma (re)construção sobre um ser humano primordial.

 

Nessa jornada do auto-conhecimento entramos num processo de auto-cura onde há aumento da auto-estima, sensualidade, sexualidade, do gosto pela vida e melhor fluxo de nossas próprias idéias, afetos e emoções.

 

Então com olhares de duas abordagens psicológicas distintas, podemos ver que trabalham excelentemente bem juntas, um trabalho corporal e analítico, nos faz entrar em contato com a nossa verdade, com nossos símbolos, com o sagrado e com um corpo-Eu, é a aproximação perfeita de corpo, mente e alma. 

 

 

Baseado em Lucy Penna (Dance e Recrie o Mundo: A força criativa do ventre)

e Angelita Scárdua  (A Dança e a (re)Criação do Universo Pela Metáfora Espacial)

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